Quando alguém chega ao consultório com enxaqueca, uma das perguntas mais importantes é também a mais difícil de responder de memória: quantas crises você teve no último mês? Quanto tempo duraram? O que parecia desencadear? Poucas pessoas conseguem responder com precisão, e é justamente aí que se perde uma informação valiosa para o tratamento.
Registrar as crises, o que chamamos de diário de enxaqueca, é uma das ferramentas mais simples e mais úteis para quem convive com enxaqueca. A Dra. Natally Santiago, neurocirurgiã funcional especializada em dores de cabeça, explica o que anotar, por que isso muda a consulta e como começar hoje mesmo.
O que é um diário de enxaqueca
É um registro simples de cada crise: quando aconteceu, quanto durou, o quanto doeu, o que você suspeita ter desencadeado e qual medicação usou. Pode ser feito no papel, no celular ou em uma ferramenta própria. O que importa não é o formato, e sim a constância.
Por que isso muda o tratamento
A enxaqueca é uma condição que varia muito de pessoa para pessoa, e o tratamento certo depende de entender o seu padrão. O diário responde perguntas que definem condutas:
- Quantas crises por mês? Esse número separa a enxaqueca episódica da crônica e define se há indicação de tratamento preventivo
- As crises estão melhorando ou piorando? Mostra, com dados, se o tratamento atual está funcionando
- Há um padrão de gatilhos? Permite agir sobre o que realmente desencadeia as suas crises
- Com que frequência você usa analgésico? Ajuda a identificar o risco de cefaleia por uso excessivo de medicação
- A medicação de crise realmente alivia? Indica se é preciso ajustar a estratégia
O dado que mais pesa na consulta
Dizer “tenho muita dor de cabeça” é diferente de dizer “tive 11 crises no último mês, 6 delas acima de 7 de intensidade”. O primeiro é impressão; o segundo é informação clínica que orienta o tratamento. Com o diário, a consulta rende mais e a conduta fica mais precisa.
O que anotar em cada crise
O essencial
- Data da crise
- Duração aproximada (menos de 1 hora, algumas horas, o dia todo, mais de um dia)
- Intensidade da dor, de 0 a 10
- Medicação usada e se aliviou
O que enriquece o registro
- Possíveis gatilhos: estresse, sono ruim, jejum, alimentos, ciclo menstrual, cafeína, álcool, telas, clima, esforço físico
- Sintomas associados: náusea, sensibilidade à luz ou ao som, aura visual
- Impacto: precisou faltar ao trabalho, deitar no escuro, cancelar compromissos
Não é preciso escrever muito. Um registro de trinta segundos, feito logo após a crise, já é suficiente. O erro mais comum é tentar anotar tudo com riqueza de detalhes e desistir na segunda semana.
Suas crises estão frequentes ou intensas? Registre no diário e leve os dados a uma avaliação especializada. A Dra. Natally Santiago trata enxaqueca com protocolos modernos, em São Paulo.
Como manter o hábito (sem se cobrar demais)
- Registre logo após a crise passar, enquanto está fresco na memória
- Prefira um formato que esteja sempre com você, como o celular
- Se esquecer de anotar algumas, tudo bem: registre as próximas e siga
- Leve o resumo às consultas, é ali que ele mostra todo o seu valor
- Três meses de registro já dão um retrato bastante claro do seu padrão
Use o diário de enxaqueca gratuito da Dra. Natally
Para facilitar, criamos uma ferramenta gratuita: o Diário de Enxaqueca do site. Nela você registra cada crise em poucos toques pelo celular, acompanha a evolução em gráficos e gera um relatório em PDF para levar à consulta.
O que a ferramenta faz por você
- Registro rápido: data, duração, intensidade, gatilhos e medicação
- Gráficos com a evolução das crises e a intensidade média
- Identificação do gatilho mais frequente nos seus registros
- Relatório em PDF pronto para levar ao médico
- É gratuita e o histórico fica salvo para você consultar quando quiser
A ferramenta é educativa e não substitui a avaliação médica, mas transforma a sua consulta: em vez de tentar lembrar, você chega com o seu padrão documentado.
Quando o diário indica que é hora de procurar um especialista
Procure avaliação especializada se o seu registro mostrar:
- Quatro ou mais crises por mês
- Crises que duram mais de um dia com frequência
- Uso de analgésico em mais de dez dias no mês
- Intensidade alta que impede trabalhar ou estudar
- Piora progressiva do padrão ao longo dos meses
Esses são justamente os sinais de que existe indicação de tratamento preventivo, que pode reduzir bastante a frequência e a intensidade das crises.
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Revisão médica: Dra. Natally Santiago — CRM 167346 | RQE 81270 — Neurocirurgiã Funcional, Fellowship USP, Membro SBN.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.