A neuropatia periférica é uma das condições neurológicas mais frequentes encontrada pelos especialistas. A avaliação de alterações da sensibilidade, incluindo as neuropatias, é uma das 5 principais causas de procura por consulta neurológica. A prevalência das neuropatias periféricas na população geral é de 2.4%, chegando até 8% na população acima de 55 anos.
Elas são mais comuns em pacientes com diabetes, HIV, pacientes recebendo quimioterapia e também em doenças do metabolismo de proteínas.
No caso da neuropatia diabética, ela pode estar presente em aproximadamente 10% dos pacientes ao diagnóstico. A incidência, no entanto, aumento com o tempo de doença, podendo alcançar uma incidência acima de 60% dos pacientes com diabetes.
Sintomas e Diagnóstico
Os sintomas podem variar de dormência, formigamento, fraqueza, dor em queimação, sensação de choques elétricos e até alterações chamadas de autonômicas, com hipotensão postural, impotência e alterações da sudorese.
Quando existe suspeita de uma neuropatia, a história clínica e um exame físico detalhados são fundamentais. Um padrão comum da neuropatia diabética é seu início insidioso nos pés, ascendendo às pernas até os joelhos. O envolvimento dos membros superiores pode não ocorrer ou acontece após evolução dos membros inferiores. A perda da propriocepção também pode acontecer em alguns casos como na deficiência de vitamina B12. Nesse caso, o corpo perde a capacidade de avaliar em que posição se encontra a fim de manter o equilíbrio quando está parado, ou mesmo quando precisa se mover ou realizar esforços.
O reconhecimento da neuropatia é muito importante e investigado precocemente em doenças que cursam comumente com neuropatia, como é o caso da diabetes. Testes clínicos simples de screening podem ser realizadas em consultas de rotina, como sensibilidade ao toque suave, que pode ser feito delicadamente com um algodão; sensibilidade à vibração com uso de diapasão; percepção dolorosa e reflexos tendíneos. Exames laboratoriais, testes genéticos se necessários, exames de neuroimagem, eletroneuromiografia e estudos da condução nervosa, e até biópsia, podem ser necessários para confirmar ou excluir o diagnóstico da neuropatia.
Tratamento e Controle
O objetivo primário é identificar a origem da neuropatia para tratamento direcionado à causa. O tratamento visa principalmente impedir a progressão da doença. Um dos sintomas mais incapacitantes das neuropatias periféricas é a dor neuropática, afetando perto de 30% dos pacientes. A dor pode estar associada à depressão, ansiedade e distúrbios do sono. O tratamento da dor neuropática pode ser feito com medicamentos, como anticonvulsivantes, antidepressivos e analgésicos, com controle satisfatório dos sintomas. A neuromodulação é uma alternativa para casos refratários ao tratamento clínico, que persistem com quadro doloroso de difícil controle e incapacitante.
Conclusão
A maioria das neuropatias periféricas é sensitiva, de leve a moderada e pode ser manejada clinicamente, sem grande comprometimento funcional. Os principais diagnósticos a serem investigados são a neuropatia diabética, disproteinemias, deficiência de vitamina B12 e causas hereditárias. A dor neuropática deve ser tratada prontamente para controle e melhora da qualidade de vida do paciente.